5ª edição da SIPO Óbidos acolheu talentos de todas as idadesA 5ª Semana Internacional do Piano terminou no passado domingo com o concerto de Dimitri Bashkirov. No auditório da Casa da Música, este pianista russo, considerado um dos melhores a nível mundial, impressionou os presentes com as suas interpretações de obras de Bach, Schubert, Chumann e Debussy. Durante uma semana, para além da vertente artística, os concertistas, também pedagogos, incutiram a alunos de nove países conhecimentos e pormenores que fazem a diferença no mundo da música.
“Estamos muito satisfeitos com a edição deste ano. Participaram excelentes professores e alunos de grande talento, alguns deles já com uma carreira iniciada”, afirmou Micaela Ganea, membro da Associação de Cursos Internacionais de Música, e directora artística do evento. Entre os jovens talentos, Micaela Ganea destaca os estudantes portugueses, “que demostraram um excelente nível de profissionalismo”. Exemplo disso é o facto de estarem inscritos neste curso alunos que já ganharam concursos internacionais, como é o caso de uma jovem luso-americana que ganhou o primeiro prémio do concurso internacional Viana da Mota, um dos concursos de maior prestígio nesta linha. A trabalhar com o pianista Bashkirov esteve durante uma semana, Claire le Guay, uma jovem francesa de 26 anos, que veio a Óbidos, com o objectivo de aprender alguma coisa com este “mestre”. Durante este tempo “aprofundei os meus conhecimentos no que diz respeito à leitura da música e a perceber melhor o que está escrito e como tocá-lo”, refere a concertista francesa, que já editou três discos. Relativamente ao local onde são realizadas as master-classes, Claire le Guay pensa que a escolha não poderia ser melhor, uma vez que “Óbidos é muito calmo, e nós podemos praticar e ouvir as todas as lições dos nossos colegas. Nada nos incomoda, é só música e trabalho”. Também a participar, e sob orientação do pianista e pedagogo Vitaly Margulis está a portuguesa Joana Gama, de 16 anos, o elemento mais jovem do curso. Oriunda de Braga, e com aspirações no mundo musical, Joana Gama já foi convidada para, no próximo ano, ir trabalhar com ele para os E.U.A.. Actualmente está a ponderar as possibilidades, e a tentar arranjar uma bolsa de estudo para poder comportar as despesas, que são muito elevadas. Como pianistas preferidos, a jovem estudante elege Richter, Polini, Horowitz, e Carlos Seixas, músico português da altura do barroco. Na SIPO também pela primeira vez, esteve o ucraniano Vitaly Margulis, este na qualidade de pianista e pedagogo das master-classes. Desta nova experiência leva as melhores recordações, uma vez que “o contacto que se estabelece entre professores e alunos é extraordinário”, refere. Margulis, que já conhecia Óbidos, salienta ainda que “este é um bom local para se fazerem concertos, pois cá existem salas com boa acústica e bons instrumentos”. O pianista e autor de estudos de filosofia musical destacou ainda o “óptimo desenvolvimento” que se registou a nível dos pianistas portugueses. “Uma acção pedagógica do mais alto nível, que é um honra para o Oeste”. É assim que Luisa Vieira Pereira, pianista e professora de piano no Instituto Superior Gregoriano de Lisboa, define a SIPO. Esta caldense, actualmente a residir em Lisboa, é uma espectadora assídua deste evento, fazendo coincidir as férias com a data da sua realização. Realçando o prestígio dos pianistas presentes, como é o caso de Manuela Gouveia, Pierre Reach, ou Margulis, entre outros, Luisa Vieira Pereira diz que “é o melhor que há no mundo e isso entusiasma muito, tanto as pessoas que como eu estão só a ouvir, como aquelas que têm a sorte de estarem a trabalhar com eles”. Ainda referindo-se aos espectadores, esta pianista afirma que ano após ano tem-se registado uma maior afluência, facto que só vem confirmar a qualidade deste evento. Fátima Ferreira fferreira@clorofila.com *****
Grandes nomes do piano ensinam em Óbidos Trinta e cinco pianistas de nove países estão na vila medieval a participar na Semana Internacional do Piano em Óbidos (Sipo). Além de alunos de Portugal, estão também de Espanha, Bélgica, Alemanha, França, Japão, Rússia, China e dos Estados Unidos da América. Há participantes dos 18 até aos 50 e muitos anos a participar nas masters-classes destinadas aos que pretendem “fazer da música a sua profissão”, no dizer de Manuela Gouveia, pianista portuguesa e uma das organizadoras deste evento anual. São alunos de escolas superiores, ou já em início de carreira que não perdem a oportunidade de vir aprender com grandes professores do piano, a nível mundial. Além da música, este ano, a Sipo aposta na divulgação de uma outra forma de arte, a pintura.
***** Semana Internacional do Piano em Óbidos
Aliar a música à pintura “O reconhecimento da Sipo tem vindo a crescer de ano para ano, não só a nível nacional como internacional”, disse Manuela Gouveia, a presidente da Associação dos Cursos Internacionais de Música que deu origem a este projecto que já vai na sua quinta edição. Esta iniciativa, além da vertente educativa conta, como é habitual, com uma série de recitais onde actuam os professores e os alunos. As inscrições para a Sipo são aceites por ordem de chegada até aos 40 participantes, limite imposto em nome do aproveitamento máximo deste curso, uma vez que a qualidade tanto do ensino como dos recitais é a principal marca deste evento. “São nomes conhecidos a nível mundial e ficamos muito gratos que aceitem vir a Óbidos leccionar. Alguns regressam durante vários anos, encantados com a vila e com o nível da iniciativa”, disse Manuela Gouveia sobre os professores deste ano e que habitualmente dão nos EUA, Alemanha, Espanha ou França. São eles Dmitri Bashkirov, Vitaly Margulis, Manuela Gouveia, Pierre Réach e Carmen Martinez, que estão a trabalhar com pianistas em inicio de carreira e estudantes de nível profissional e que frequentam todas as masters classes durante seis a oito horas por dia. As aulas decorrem em três salas: no auditório da Casa de Música, no auditório de S.Tiago e na Casa da Barbacam, onde está também a exposição da autoria da pintora Natália Vaz Pires Biek e que se encontra aberta ao público até ao final do evento, dia 14 de Agosto. Esta galeria, que abriu as suas portas pela primeira vez, pretende continuar a apresentar o trabalho de artistas que ainda não tenham exposto em Óbidos e também o de jovens autores em início de carreira. Além das masterclasses, os participantes ainda dispõem de sete pianos de estudo, que lhes permitem trabalhar nos intervalos das aulas. Todas as sessões de aprendizagem podem ser assistidas por ouvintes, ou seja, por qualquer pessoas que tenha interesse musical. A Sipo é organizada em conjunto com a agência de concertos, European Artists Management, sediada em Bruxelas e conta com o apoio da autarquia local, do Ministério da Cultura e ainda algumas empresas privadas. As inscrições individuais custam 75 mil escudos (374 euros), com alojamento e meia pensão incluídos. A realização do evento fica entre os 10 e os 12 mil contos (entre os 49 879,78 e os 59 855,74 euros), orçamento considerado baixo por Manuela Gouveia porque “são artistas de alto nível a quem quase não podemos pagar. São amigos ou colegas que cá vêm por gosto e por amizade”. A exposição de pintura da autoria de Maria Natália Vaz-Pires Bieck pode então ser vista até 14 de Agosto, na galeria da Casa da Barbacam. Esta artista, que nasceu em Chaves, tirou cursos de pintura na Alemanha e na Índia e vive actualmente no Canadá.
Natacha Narciso nnarciso@clorofila.com ***** “Não me parece possível ir mais alto”
Manuela Gouveia dedica-se ao piano desde os cinco anos. Faz parte de uma família de músicos e a aprendizagem “foi crescendo comigo”, disse. Aos 12 anos soube que queria fazer da música a sua profissão apesar das dificuldades em coadunar a aprendizagem da música com os habituais estudos. “É preciso grande dedicação e é um ritmo de trabalho muito duro”, disse a pianista que conseguiu fazer o liceu ao mesmo tempo que estudava no Conservatório do Porto. Quando terminou o curso partiu para Hamburgo (Alemanha) onde fez o estágio de pós-graduação. A pianista dá aulas desde 1973 e vive em Bruxelas há 12 anos e lecciona no Conservatório de Bona, na Alemanha. “Todos os que se dedicam à música ou a outra forma de arte são pessoas super-privilegiadas”. Acha que poder lidar todos os dias com obras primas musicais e o facto de poder trasmiti-la aos outros “é um grande privilégio. Não me parece possível ir mais alto”, disse Manuela Gouveia que admira Bach entre outros grandes compositores como Beethoven, Mozart, Chopin, os românticos ou ainda os autores do início do século, por causa do ritmo. Esta pianista inclui sempre nos seus recitais temas de compositores portugueses. No seu concerto integrado na Sipo, irá dar a conhecer obras de Croner de Vasconcellos. Outros compositores, entre os eleitos, são Lopes-Graça, Carlos Seixas, Vieira da Mota, Filipe Pires, Armando Fernandes e Luís Costa, entre muitos outros. N.N. ***** Recitais na Casa da Música Durante este fim de semana ainda estão a decorrer recitais integrados na Sipo 2000. Todos os espectáculos têm início às 21h30, no Auditório da Casa da Música. No dia 12, realiza-se o recital com Manuela Gouveia, Maria Mateu Palau e Dominique Williencourt – que inclui canto, violoncelo e piano, - onde serão interpretadas obras de Bach, Rodrigo, Barbieri, Manuel de Falla e Villa Lobos. E para finalizar este programa, no dia 13 realiza-se o recital de piano pelo professor Dmitri Bashkirov que interpretará Bach, Marcello, Schubert, Schumann e Debussy. Os bilhetes para os vários recitais podem ser adquiridos no Posto de Turismo de Óbidos e custam 1200$00 (5,98 euros) e 700$00 (3,49 euros) para estudantes. O ingresso que permite assistir a todos os recitais custa 7.500$ (37,4 euros) e para os estudantes 4 500$00 (22,44 euros).
N.N. *****
Semana Internacional do Piano de Óbidos Quarenta alunos na SIPO 99
Quatro dezenas de jovens pianistas de diversos países participam, a partir de hoje e até 9 de Agosto, na IV Semana Internacional de Piano de Óbidos/SIPO 99, uma das principais iniciativas anuais da vila histórica. Durante os próximos 11 dias os jovens pianistas em início de carreira ou estudantes de nível profissional recebem aulas de cinco mestres, actuando num concerto que tradicionalmente esgota a capacidade da Casa da Música de Óbidos. Para além das horas dedicadas ao ensino, o programa da SIPO 99 conta também com uma vertente de recitais públicos a cargo dos mestres convidados para a edição deste ano da Semana Internacional, com o búlgaro Mikhail Pethukov a abrir a série de concertos, no próximo sábado, 31 de Julho. Obras de Chopin, Schumann, Liszt e do próprio Pethukov serão interpretadas no concerto de Mikhail Pethukov. No Domingo será a vez da portuguesa Manuela Gouveia tocar partituras da autoria de Carlos Seixas, Beethoven, Chopin e Luís Filipe Pires. O dia 2 de Agosto, será preenchido por concerto de piano a quatro mãos, a cargo da espanhola Carmen Martínez e do francês Pierre Réach, estando programada a actuação do húngaro Laszlo Simon na noite seguinte. A SIPO é uma organização anual conjunta da Associação de Cursos Internacionais de Música-Casa da Barbacam e da European Artists Management e conta com o apoio da Câmara Municipal de Óbidos. J.P.
***** SIPO 98 Organização exemplar Eduardo João, Vereador da Cultura da Câmara Municipal encerrou a SIPO 98 (Semana Internacional do Piano de Óbidos) elogiando a qualidade da organização do evento neste terceira edição, destacando igualmente a presença de grandes mestres do piano mundial. O autarca agradeceu a colaboração dos funcionários camarários que se têm mostrado sempre disponíveis. A SIPO 98 despediu-se num ambiente de grande satisfação, com uma cerimónia de entrega de diplomas aos 27 alunos participantes, oriundos de todo o mundo. Tânia Vieira, 18 anos é natural de S.Miguel nos Açores e esteve em Óbidos pela primeira vez, tendo participado na Semana do Piano com a sua irmã Diana, de 13 anos, a mais nova pianista presente em Óbidos. Ambas estudam no Conservatório de Música de Ponta Delgada, a Tânia no 7º grau: penúltimo ano e a Diana no 4º grau. Tânia e Diana, são apenas dois dos sete filhos, todos músicos, de um casal que também aproveitou a viagens das filhas para conhecer Óbidos. Elas tiveram conhecimento da realização da SIPO através de um anúncio afixado no conservatório. Receberam do Governo Regional dos Açores duas passagens de avião para o Continente e durante 10 dias trocaram "novas experiências com outros pianistas". "Aprende-se bastante" confirmou a Tânia. E por outro lado, fica-se a saber como se ensina a tocar piano "nos outros países". "É mais exigente" considera a jovem açoreana que quer fazer carreira profissional na música. "Temos muitos e bons pianistas mas somos um país muito pequeno", lamenta. Mais pequeno é o seu horizonte em S. Miguel e por isso quer-se mudar para o Continente, onde para já, pretende ingressar numa escola superior de música. Em 1999 ambas pretendem voltar a Óbidos para participar na 4ª Semana Internacional do Piano.
A estrela de Viena O pianista austríaco, Paul Badura-Skoda esteve em Óbidos este ano pela segunda vez a participar na SIPO. Foi a grande estrela ao longo de 10 dias, tendo culminado a sua presença com um recital no auditório da Casa da Música, no passado sábado, 15 de Agosto, onde o público esgotou a sala. Badura-Skoda não é por acaso que é considerado o mais ilustre representante actual do classicismo de Viena. A música está no seu coração mas também na ponta dos dedos. Todo o público considerou a sua actuação "sensacional". O pianista, considera que Óbidos "é a terra mais bonita do mundo" e por isso "assim é mais fácil trabalhar" disse à Gazeta das Caldas. Badura-Skoda considera que "é fantástico reunir bons professores e alunos de grande calibre nesta vila fantástica". Durante 10 dias, tentou explicar aos seus alunos "que a música é uma linguagem que expressa sentimentos e emoções muito especiais". Em relação à música portuguesa, o pianista revela que conhece melhor apenas Vianna da Motta. Na passada quinta-feira, 13 de Agosto, Pedro Burmester, conhecido pianista português, assistiu em Óbidos ao recital de Luiz Moura e Castro que foi seu professor. Pedro Burmester elogiou o facto de estar a ser feita "alguma descentralização das actividades culturais" e sublinhou a importância da SIPO justificando que é "essencialmente bom para os estudantes de música portugueses". José Parreira |